Enlaçado ao canto,
surge como que por encanto o traço,
o não-verbo.
Vozes traduzidas nas linhas,
traçam a vida em laços.
Entrelaçam mundos e sonhos.
Cantam abraços.
Dançam riscos,
criançando, rabiscando a face.
Enchem de tudo,
o vazio do nada.
O traço rascunha o não-dito.
O risco passa a ser meio,
rabiscos sentidos.
O vazio passa a ser cheio,
ultrapassa o escrito.
A indizível faísca,
onde o verbo fracassa.
Sorria, sorria como quem inaugura primaveras. Fale sorrindo, até que o gesto se entranhe na carne e se converta em liturgia cotidiana.
