São tantos saltos altos e vestidos finos
A maquiagem, os anéis de pedraria
Que escondem a verdadeiro desejo daquela menina
Que trocaria cada peça do cabide
Por uma sela, chapéu e botina
Ela não quer a cidade cinza nem o rooftop para ver as luzes
Ela quer o cheiro dos laranjais e pegar a fruta do pé
Uma cesta cheia da colheita do café
Ganhar horas no moinho, fazer o próprio queijo
Não se importa com a lama no caminho
Ela é feita da simplicidade, mas aprendeu a finesse da cidade
Sonha com o amanhecer de orvalho e o canto do galo
Vive em um lugar emprestado com o desejo de sua raiz
Que grita a cada estalo
Sonha menina, o campo te espera de volta
Muito em breve o asfalto te perde
A tua vista da janela será a colina.
Diane Vasconcelos
02/01/23
Eu não escrevo, sou escrita. Linha por linha, vírgula por vírgula, a vida traça seu enredo em mim. Sou papel onde