(Comemorando o Dia Nacional do Escritor)
A página em branco mantinha a esperança
embora ficasse no canto esquecida.
Seu íntimo ansiava por simples lembrança:
comédia ou drama, irreal ou vivida.
Aberta ela estava pra novas ideias,
nenhum preconceito sequer julgamento.
E tudo aceitava, romance, odisseias,
leal prontidão pra qualquer pensamento.
Um dia o escritor vendo a página triste
se compadeceu por deixá-la sozinha.
De início inseguro, era um risque e rabisque,
um verso disperso nem rima continha.
Aos poucos um tema assumiu o comando.
E página e autor se espelharam, então.
No dom de dizer as verdades sonhando.
Balanço de letras, um sim e alguns “não”.
O texto de pronto quis ser divulgado.
A tola exigência, porém, foi mais forte.
Queria ser lido… Acabou confinado.
O quarto minguante selou sua sorte.
Um tempo depois, por audácia ou coragem,
a página arriscou-se e saiu da gaveta.
E já que na vida o presente é passagem
sentiu-se feliz, aceitou-se imperfeita.
A página em branco tornou-se poesia
se fez porta voz de um tenaz escritor.
Transborda emoção… Sua missão se cumpria:
Com brilho no olhar se aconchega um leitor.
