Sorria, sorria como quem inaugura primaveras.
Fale sorrindo, até que o gesto se entranhe na carne e se converta em liturgia cotidiana.
O hábito é um artesão silencioso,
imprime na alma as atitudes que repetimos sem perceber.
Me diga, quais têm sido nossos hábitos secretos?
Quais movimentos repetidos
têm construído o destino que habitamos?
A alegria não é acaso, é escolha íntima, é o verbo escolher vivido por dentro.
Que decisões temos plantado
no solo invisível dos dias?
Toda ação reverbera, como pedra lançada ao lago do tempo, desenhando círculos que se expandem para além do olhar.
O sorriso, a alegria, podem parecer ordinários aos olhos apressados, mas são delicadas rebeliões contra o peso do mundo.
A alegria, essa epifania suave,
nasce nas pequenas coisas,
no gesto mínimo, na palavra mansa, no instante simples e quase ordinário que, ainda assim,
sustenta nossos dias.
Letícia Martinhago